Réveillon? Tá louco!

Por Dario Souza da Silva, colaborador e Amigo.
A impressão que me causa é que no réveillon todo mundo entra numa espécie de transe coletivo e se esquece de que no dia seguinte "é preto na folhinha". Exatamente igual a todo o restante do ano. Nada do que se tenha feito na virada do ano vai mudar essa realidade. A única forma de mudar é olhando as coisas de forma filosófica, tentando entender os porquês das coisas e promover mudanças internas, reformulando suas perspectivas e evoluindo como pessoa, não por uma imposição cultural/mercadológica, mas como uma necessidade de entender melhor o mundo e a si próprio. Somos uma geração que, em média, passa mais tempo trabalhando que os camponeses da Idade Média. Passaremos o ano trabalhando! E pior, a menos que nos aposentemos por invalidez, ganhemos na loteria ou morramos, passaremos a vida trabalhando.
Você pode estar pensando: "essa é uma das poucas épocas do ano que o trabalhador tem algum tipo de liberdade". Dai eu lhe pergunto: mas e aqueles trabalhadores que mantém a festa Gourmet funcionando: músicos, seguranças, montadores, cozinheiros, garçons, garis, entre outros... Será que todos os trabalhadores têm essa liberdade? Não! E o pessoal da área da saúde, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, médicos, os trabalhadores de hospitais em geral, que durante essa época trabalham em clínicas movimentadas e estressantes? E o pessoal dos serviços essenciais: transporte, limpeza pública, segurança, fiscalizações, trabalhadores do ramo hoteleiro e de restaurantes, como é que ficam? Você deve estar ponderando: "mas eles não são a maioria". Realmente, não são. Mas ainda assim são uma massa imensa de trabalhadores.
A verdade é que tudo se resume a quem trabalha e quem explora o trabalho e o consumo. A lógica capitalista nos sequestrou até o significado lúdico das coisas. Seja Natal, Virada do ano, Páscoa e por ai vai. Tudo tem que ser um evento espetacularizado, instagramável e que gere engajamento nas redes, mas invariavelmente esvaziado de sentido. Aquela "virada raiz", com os amigos e familiares, comida boa e com aquela festa a la anos 80/90, sem pompas, na qual a preocupação das pessoas era estarem juntas e se divertirem, em casa mesmo, se tornou raríssima.
A única forma de subverter essa lógica é através de uma revolução. E toda revolução inicia pequena, inicia dentro de alguém, um "louco", que "do nada" - aos olhos dos "não loucos" - resolve agir diferente da massa. Daí um outro "doido" se inspira nesse "louco" e "enlouquece" também. E assim o fermento da mudança começa a crescer.
Feliz 2026 a você que está enlouquecendo.
