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Práxis

Os filósofos limitaram-se sempre a interpretar o mundo de diversas maneiras; porém, o que importa é modificá-lo.

Práxis

Os filósofos limitaram-se sempre a interpretar o mundo de diversas maneiras; porém, o que importa é modificá-lo.

Há vida inteligente (além de nós) no Universo?

07.02.19

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Existem duas possibilidades, estamos sozinhos ou não, e ambas são assustadoras.

Carl Sagan

 

De um modo ou de outro, querendo ou não, o tema da existência, ou simplesmente a busca de outro modo de vida inteligente no universo, é algo extremamente intrigante que mexe com todas as cabeças. Existe uma certa lógica por trás de tudo isso: com um universo tão grande, margeando o infinito com bilhões (quiçá trilhões) de galáxias, há certamente vida inteligente em algum lugar deste universo. Mas essa máxima é consensual na astronomia?

 

Na tentativa de sair do senso comum, é preciso levar-se em conta dois fatores importantes dentro da astronomia. Um deles deriva da década de 1950, quando o físico Enrico Fermi criou o que chamamos de Paradoxo de Fermi, cuja ideia é: dado o tamanho do universo, sua idade e número de estrelas, uma civilização avançada já deveria ter entrado em contato com a humanidade. No entanto, sabemos que isso ainda não aconteceu. Então vem a pergunta que marca o paradoxo: "Onde estão todas as civilizações inteligentes?" Para dar um caráter analítico ao paradoxo de Fermi, o astrônomo Frank Drake formulou, em 1961, a famosa Equação de Drake, na qual tentou-se estimar o número de civilizações inteligentes existentes no universo. Eis o segundo fator. Basicamente, a equação de Drake tenta estimar o número de civilizações inteligentes extraterrestres que existiriam em nossa galáxia em qualquer momento.

 

Como esta equação funciona? Em suma, ela visa a procurar evidências, usando sinais de ondas de rádio ou algum outro objeto que transmita um sinal mais forte.

 

A equação é criticada por muitos e adorada por outros tantos. Entretanto, é uma tentativa de organizar, racionalizar, por meio de cálculos matemáticos, nossa ignorância no que concerne a existência da vida no universo. Muitos tentaram resolver a equação fornecendo números exatos para cada parâmetro ou simplesmente fornecendo estimativas para cada um deles. Algumas soluções indicam que pode haver outras civilizações no universo, enquanto outros pesquisadores dizem que estamos sozinhos. No entanto, as conclusões tiradas dos dados estudados da equação são que não há vida inteligente no universo além de nós.

 

De fato, a lógica evocada por Franke Drake, além de conter certo egocentrismo, certa arrogância, ignora certos fatores importantes que devemos levar em conta. O primeiro é que, para localizar uma civilização, ela deveria estar tecnologicamente avançada a ponto de poder produzir equipamentos capazes de captar e transmitir tais ondas de rádio, por exemplo. Outro fator é que a equação foi pensada para localizar vida inteligente e avançada em nossa galáxia, nada mais. Acontece que até a Via Láctea é cortada por nuvens moleculares que lhe dão uma aparência complexa, irregular e equilibrada. Essas nuvens geralmente carregam uma quantidade tão concentrada de "poeira cósmica" que é quase impossível para essas ondas cruzá-las.

 

Mas não só! Mesmo que existam civilizações tecnologicamente avançadas capazes de receber nossas informações, isso não significa que elas possam nos responder. Na verdade, existem ondas curtas e "finas" que não podem percorrer toda a extensão da nossa galáxia, que é relativamente pequena em comparação com outras no cosmos, mas que tem - segundo estimativas - cerca de 200 bilhões de estrelas e um diâmetro de 100 mil anos-luz. Talvez para estender esses cálculos para um universo com cerca de 300 bilhões de galáxias (das quais apenas 43.000 são "conhecidas"), muitas delas muito maiores que as nossas.

 

Os físicos Anders Sandberg, Eric Drexler e Toby Ord publicaram, em junho 2018, um artigo intitulado Dissolving the Fermi Paradox (Dissolução do Paradoxo de Fermi), em que eles decidiram combinar, às suas análise do paradoxo de Fermi, a Equação de Drake, a modelagem estatística e as incertezas. A abordagem foi inteiramente nova; eles usaram o que eles chamam de "distribuição de probabilidade" para cada parâmetro da equação. Isso consiste no cálculo dessa probabilidade usando um número médio de planetas para certos tipos de estrelas. Acontece que, uma vez que estamos apenas no início da descoberta de exoplanetas e sistemas interplanetários, é praticamente impossível de realizar um cálculo em uma média com base em números muito pequenos. Não admira que tenham descoberto que o grau de incerteza seria muito alto, com muitas ordens de grandeza. Isso significa que, atualizando os valores à luz da observação de Fermi, chegamos à conclusão de que provavelmente estaremos sozinhos não apenas em nossa galáxia, mas também no universo observável.

A resposta para Fermi, segundo esses físicos, é: "Onde estão todos eles? Provavelmente muito longe de nós e muito provavelmente além do horizonte cosmológico. Se eles existirem, nunca serão alcançados". Esta é uma tentativa de resolver a equação estatisticamente, e não significa que esteja completamente correta. Pelo contrário!

 

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Já vimos os limites dessa equação, mas para concluirmos nosso raciocínio por que não inverter a lógica? Sim, por que não pensamos na probabilidade de que nós humanos não possuamos tecnologia de ponta capaz de captar sinais do espaço exterior? Por que brincar de deus? Mesmo porque, quando buscamos a vida no universo, a fazemos de acordo com o que conhecemos como vida, aquela baseada no carbono. Acontece que esse elemento, que está findando no universo, é relativamente raro e representa apenas 5% do total do cosmos. E a vida baseada em outros elementos (incluindo a vida inteligente), não sabemos o que seria.

Para alegria de uns (e talvez tristeza de outros), há novos estudos e outras descobertas que nos aproximam cada vez mais da certeza de vida inteligente fora da Terra. Ou ao menos vida complexa, capaz de suportar vida inteligente. E não somente no Universo distante, mas aqui, dentro de casa, na nossa humilde e bela Via Láctea. Mesmo com um referencial tão pequeno para trabalharmos - aquele de 5% de carbono -, estima-se que haja sim grandes possibilidades de se haver vida em outros planetas. E com certa abundância. E em que grau de desenvolvimento se encontra a vida e quais as possibilidades de manterem estes seres contato conosco talvez passe a ser, em pouco tempo, o novo Paradoxo de Fermi. O tempo dirá!

 

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