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Práxis

Os filósofos limitaram-se sempre a interpretar o mundo de diversas maneiras; porém, o que importa é modificá-lo.

Práxis

Os filósofos limitaram-se sempre a interpretar o mundo de diversas maneiras; porém, o que importa é modificá-lo.

A tela

05.02.26

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Por Dario Souza da Silva, Amigo e colaborador.

Estamos distraídos! Nunca fomos tão focados e ao mesmo tempo tão diluídos. Estamos sempre ávidos pelas novidades, com os olhos vidrados na tela, aguardando as próximas notificações, as novas fotos, as solicitações de amizade, cutucadas, debates, notícias, atualizações de status, vídeos, músicas, e por ai vai.

Podemos até ficar sentados ao lado uns dos outros, mas nossas mentes estão a quilômetros de distância. Não olhamos para o lado. Não percebemos a visão periférica. A tecnologia nos ensinou a focar na distração, naquilo que nos sequestra do momento presente e nos projeta a milhares de terabytes de distância.

Procuramos conhecer pessoas nas redes sociais, mas não olhamos para os lados em nossas situações cotidianas. Quantos amores não vividos, quantas amizades não descobertas, quantas conversas não conversadas, quanta distância! Como estão distantes as pessoas sentadas ao nosso lado! Como são difusos nossos interesses e quão desinteressantes somos uns para os outros.

Estamos chegando num ponto que para ser notado é preciso ser visto através da tela, como se tudo o que está em volta virasse segundo plano, como se as pessoas que cruzam conosco fossem apenas figurantes das nossas realidades. Somos capazes de conversar horas a fio numa rede social ou num aplicativo de mensagens, mas raramente cumprimentamos a pessoa que se sentou ao nosso lado num ônibus, num restaurante, num parque, num metrô, numa fila de espera, num supermercado.

Essa tecnologia que nos inebria, essa facilidade de comunicação que nos entorpece, está nos roubando de nossos contextos. Está nos consumindo! Nas redes sociais somos donos da verdade, temos opinião, brigamos, defendemos nossos ideais. Em nossos contextos, de forma geral, somos apáticos! Normalmente somos levados a alguma ação quando a fagulha de atitude surge da própria rede ou da mídia. Nas poucas vezes em que focamos nas situações presentes, costuma ser para fazermos algumas selfies, ou para fotografar coisas absurdas que aconteceram em nosso caminho.

Você já parou para pensar que o homem ou a mulher da sua vida pode estar sentado ao seu lado neste momento e você nem ao menos notou a presença dessa pessoa? Será que você terá uma segunda chance? Será que as situações cotidianas que são deixadas de lado em detrimento das situações virtuais tornaram a acontecer? Provavelmente não.

Muitos motoristas já bateram seus carros por estarem distraídos mexendo no celular, muitas pessoas já morreram tentando fazer uma selfie que chamasse atenção na internet. Muita gente já foi assaltada por estar distraída olhando pra tela. Mesmo motivo aliás que provoca muitos tombos e atropelamentos. Se falta energia elétrica e ficamos sem wi-fi, se a internet cai, ou se o 4G falha, ficamos nervosos. Começamos a sofrer com a abstinência.

É claro que este texto é um exagero! Propositalmente exagerado, pois a maioria de nós ainda não está tão consumido, ainda não é tão dependente do virtual. Mas com pouquíssimas exceções, ouso afirmar que estamos todos neste caminho. Basta entrar num ônibus, metrô ou fila de espera e notar que a maioria esmagadora de pessoas estará invariavelmente distraída olhando para uma tela!

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