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Práxis

Os filósofos limitaram-se sempre a interpretar o mundo de diversas maneiras; porém, o que importa é modificá-lo.

Práxis

Os filósofos limitaram-se sempre a interpretar o mundo de diversas maneiras; porém, o que importa é modificá-lo.

Curso gratuito sobre O CAPITAL, de Karl Marx

14.09.20

 

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O militante político socialista e intelectual brasileiro Gustavo Machado, teórico marxista, autor do excelente livro Marx e a História, que discute o pensamento do filósofo alemão a luz dos próprios textos do autor, por meio de um trabalho rigorosíssimo de análise imanente de seus textos, em seu canal Orientação Marxista, no Youtube, disponibiliza gratuitamente um curso muito importante e bastante aprofundado sobre a obra mais conhecida de Karl Marx, O Capital.

O curso se destaca justamente pela seriedade e pela profundidade com que aborda a temática. É notável a destreza e a honestidade intelectual com que trabalha os conceitos mais centrais e difíceis da obra e como consegue, lentamente, dissecá-los, indo na fonte, no texto. No momento, o curso se encontra no capítulo 16 do livro 1, mas o autor promete que até outubro ou novembro deste ano (2020) encerra o primeiro livro. Para aqueles que se interessarem, abaixo deixo o link da playlist (lista de vídeos) com os conteúdos já explicados. Pegue um café, arrume um local confortável e bons estudos.

Lista de vídeos do curso O CAPITAL, de Karl Marx.

Para reduzir as desigualdades: ir às lutas! As eleições no Brasil.

08.09.20

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Neste ano a campanha eleitoral se realizará em condições especiais: em meio a uma grande crise econômica e a uma recessão mundial e imersa em uma crise sanitária sem precedentes neste século.

Em todo o mundo as economias despencaram. Países centrais da Europa, como Alemanha, França e Inglaterra registraram, respectivamente, quedas de 9,7%, 13,2% e 20,4% em seus PIBs. Outras economias centrais no mapa geopolítico mundial, como Japão (7,8%), EUA (9,1%) e Austrália (7%), e mesmo economias secundárias como Portugal (14,1%) e Espanha (18,5%) mantiveram a tendência, fechando o 2o trimestre com quedas assustadoras.

Mesmo com a recuperação no último período da economia chinesa, a primeira a abrir integralmente após o surto pandêmico, registrando alta de 11,5% no último trimestre, as expectativas para crescimento global mais otimistas preveem uma recessão mundial, que tende a se aprofundar no ano que vem. Até o gigante asiático terá queda em seu crescimento, já prevista, aliás, antes mesmo da COVID-19.

No Brasil, que entra em uma nova recessão sem superar completamente a anterior – iniciada em 2013 – as eleições ocorrerão em meio ao aumento não somente da crise econômica, mas também política e social. Segundo dados divulgados pelo IBGE, o PIB brasileiro encolheu 9,7% no segundo trimestre deste ano, o que demonstra a gravidade da situação.

Mas a crise apenas engatinha. O que aumenta ainda mais a importância da disputa política nessas eleições. Se antes da pandemia já se previa um período de bastante disputa política e de muitas lutas dos trabalhadores para manter direitos mínimos, a insurgência da crise sanitária facilitou contrarreformas neoliberais e ataques. E não foram poucos.

Isso gerou descontentamento com o governo Bolsonaro, é claro. Porém, à medida em que cresceu sua impopularidade, a pandemia e o desemprego crescente favoreceram o arrefecimento das lutas por aumento de salários. Mas esse cenário não significa ausência completa de lutas. E, embora não seja a tônica do período, as que acontecem são muito importantes, como as dos professores, contra a volta as aulas, dos ambientalistas e povos ribeirinhos que lutam contra o avanço do agronegócio em nossas florestas, ou a dos metroviários de SP, dos trabalhadores dos Correios, da Embraer e contra as demissões na Renault.

Nesse cenário, não podemos deixar de destacar o papel lamentável protagonizado pelos reformistas do PT/PCdoB e do PSOL e pelas grandes centrais sindicais, como CUT e CTB, que paulatinamente ajuda(ra)m a frenar as lutas. Já não nos bastassem todas as dificuldades impostas pelo período! Essa combinação de elementos: desemprego, pandemia e retração das lutas, proporcionaram ao governo Bolsonaro um pouco mais de calma para realizar seus ataques e estancar provisoriamente o aumento da crise política que cerceia o seu governo.

Esse fôlego adquirido pelo governo só se explica, aliás, pelas políticas desses partidos. A garrafa de oxigênio de Bolsonaro é pequena e estava praticamente vazia. E com o surgimento da crise sanitária, que já levou a óbito praticamente 130 mil pessoas no país (dados que são questionados tendo em vista serem subestimados), graças ao descaso com que trata o assunto, não era de se esperar outro cenário que não a sua queda. Porém, acontece – ao menos provisoriamente – o inverso.

De fato, a famigerada política de conciliação de classes do PT/PCdoB foi a responsável pela ascensão ao poder de um governo de extrema direita com uma política ultraliberal. Se Bolsonaro faz pouco da vida as pessoas que morreram ao subjugar o potencial de alastramento do vírus, chegando por vezes a ironizar os números alarmantes de casos e óbitos, parte dessa responsabilidade cai no colo desse reformismo inconsequente que não foi capaz de solucionar os problemas mais básicos da classe trabalhadora e que, merecidamente, claudicou.

Mas não somente. Fosse esse o legado do reformismo já nos seria danoso. Mas tanto PT quanto PCdoB vêm agindo nos bastidores políticos como protagonistas no ataque aos nossos direitos. E não somente agindo diretamente nas organizações de classe onde têm grande influência e prestígio político, como na CUT e na CTB, mas também no parlamento, ajudando a aprovar as contrarreformas do governo. Já o PSOL, que vem se tornando cada vez mais uma extensão política do Partido dos Trabalhadores, embora no parlamento não feche com Bolsonaro, no campo político lato sensu leva a disputa sempre para o campo eleitoral, adaptando-se ano a ano e rebaixando cada vez mais seus programa.

Prova disso é a crescente coligação entre PSOL e PT nos municípios brasileiros.

Mas devemos responsabilizar o governo pelas mortes, pela crise sanitária, ambiental, humanitária e econômica que assola este país. Bolsonaro é o principal responsável pela situação alarmante que enfrentamos. Sua política inconsequente, com seu programa ultraliberal e entreguista, vem provocando o empobrecimento gradual das classes trabalhadora e média e ocasionando o fechamento de pequenas e médias empresas e o aumento exponencial do desemprego. Na medida inversa em que aumentam os problemas sociais e ambientais no Brasil e no mundo, aumenta o acúmulo de capital nas mãos de poucos bilionários.

Trazendo a discussão para um plano mais local – e para encerramos aqui esta breve explanação – é importante ressaltar que tanto no Estado de Santa Catarina, quanto no município de Florianópolis, o governador Moisés e o prefeito Gean Loureiro foram uníssonos no discurso da quarentena no início da pandemia, pelos idos de março, reivindicando ambos a ciência e fechando comércios, shoppings centers, cinemas…

Eembora no Estado a quarentena nunca tenha ocorrido na prática, já que, no que concerne às indústrias, nunca foram obrigadas a fechar. Pelo contrário! Sequer uma política de afastamento e de turnos expandidos foi proposta. Nas fábricas e indústrias a pandemia se alastrou sem qualquer obstáculo. E o resultado nós já o conhecemos.

Porém, mesmo essa quarentena fictícia não perdurou por muito tempo. Não tardou para que ambos seguissem os rumos impostos pela política de Bolsonaro e afrouxassem as medidas (o Estado antes, é bem verdade), privilegiando o discurso econômico em detrimento da vida das pessoas. Decorre desses fatores a importância de disputarmos o processo eleitoral, incorporando em nossos materiais um programa que vise a uma alternativa socialista para a classe trabalhadora, que não se limite a esparramar palavras de ordem e chavões contra o governo Bolsonaro, mas que busque uma saída de classe para tod@s os trabalhador@s. Uma alternativa socialista que insira a classe no processo de luta que se desenrola. Eis nossa tarefa e nosso programa para essas eleições de 2020. Eis a bandeira que devemos astear!

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