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Práxis

Os filósofos limitaram-se sempre a interpretar o mundo de diversas maneiras; porém, o que importa é modificá-lo.

Práxis

Os filósofos limitaram-se sempre a interpretar o mundo de diversas maneiras; porém, o que importa é modificá-lo.

As lições e a atualidade da Teoria da REVOLUÇÃO PERMANENTE, de Leon Trotsky

26.02.19

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Assassinado há quase 80 anos, com uma picaretada na cabeça, em seu último exílio, no México, o revolucionário Russo Liev Davidovich Bronstein, o Leon Trotsky, deixou um legado teórico inestimável junto a um exemplo de luta revolucionária contra as opressões e pela construção da Revolução socialista Internacional.

 

A este ataque sucedeu uma série de outros crimes cometidos pelo stalinismo contra ele e sua família, que culminou, por fim, em seu assassinato, por Ramón Mercader. É que Trotsky representava o fio de continuidade com a Revolução de Outubro, com o programa e a tradição leninistas, e representava um enorme perigo para a burocracia que tomou conta do poder na ex União Soviética.

 

A ideia de Stalin e sua burocracia contrarrevolucionária era destruir o fio condutor dessa tradição de uma vez por todas, no intuito de tornarem-se eles, os burocratas parasitários de um estado operário recém constituído, os porta-vozes do marxismo, um marxismo desfigurado e negado pela súcia stalinista. E quase conseguiram. É verdade que assassinaram o velho bolchevique e que, antes dele, toda uma geração de militantes e dirigentes socialistas que se opuseram às atrocidades do regime soviético.

 

Todavia, apesar de todos os crimes cometidos contra os operários e contra a humanidade, o triunfo foi relativo, pois seu legado não foi destruído, graças principalmente à construção daquilo que ele denominou sua "maior obra": a construção da quarta internacional. Mas o intuito deste pequeno artigo é o de relembrar, de maneira sucinta, a contribuição teórico-programática da Teoria da Revolução Permanente, a teoria da Revolução Socialista mundial.

 

Mas de que fala tal teoria? Simples! Afirma que na era imperialista do capitalismo é impossível de se resolver completamente qualquer tarefa democrática dentro do sistema econômico capitalista. Ou seja, afirma que a única maneira de se completar estas tarefas (reforma agrária, as independências nacionais, destruir as ideologias machista, racista, etc.) é com a classe operária tomando controle do Estado, apossando-se dos poderes político e econômico e instaurando o que Marx chamaria de "ditadura do proletariado", iniciando o caminho até o comunismo. No caso russo, primeiramente até o socialismo, pois tratava-se de uma nação atrasada.

 

A Teoria da Revolução Permanente, elaborada após sua experiência na Revolução de 1905, se calça sobre dois argumentos centrais, que são: 1– o socialismo não se pode consumar na esfera nacional, mas somente derrotando-se todo o imperialismo, por meio de uma "grande revolução mundial"; 2 – a única classe social capaz de garantir esse processo é a classe operária, dirigida por um partido revolucionário marxista.

 

Sob esta ótica, porque diabos não seria possível a burguesia resolver essas contradições, ou então porque não se conseguiria realizar essas tarefas sem se romper com a burguesia, ou mesmo por meio "da revolução por etapas", como defendia o partido menchevique e, à posteriori, os PCs stalinistas mundo afora?

 

No que concerne às independências nacionais, na época imperialista, as burguesias nacionais (principalmente aquelas dos países subdesenvolvidos) acabam-se por tornarem-se sócias menores do imperialismo internacional. Dessa forma, mesmo que tenham alguma resistência política a um determinado projeto imperialista, não a levam às últimas consequências, pois, ao fazerem, estarão negando a si mesmas, estarão expropriando-se, já que não passam de sócias administradoras menores de grandes conglomerados internacionais. E algo parecido acontece com o problema da terra, já que os mesmos burgueses que são donos das fábricas e dos bancos são também os proprietários dos grandes latifúndios.

 

Já no que diz respeito ao combate às opressões e às ideologias (machismo, xenofobia, xenofilia, racismo, LGBTfobia, dentre outras) porque a burguesia as utiliza para dividir a classe e aumentar a exploração e, portanto, seus lucros.

É definida como uma "teoria-programa", já que sua função não é somente a de analisar e interpretar a realidade, mas serve principalmente para responder programática e politicamente os processos políticos contemporâneos. É uma ferramente poderosa que nos auxilia na compreensão dos processos revolucionários contemporâneos, como as revoluções nicaraguense, a segunda guerra mundial e as revoluções do norte da África, denominadas de "Primavera Árabe".

 

Assim, segundo os pressupostos dessa teoria, não poderemos jamais nos identificar como trotskistas se não estivermos à frente das lutas contra o machismo, o racismo e todas as opressões. Igualmente não seremos fiéis à tradição marxista se, ao participar desses processos, como o grande ascenso pelas reivindicações da mulher que está se desenvolvendo hoje em dia, não o fizermos com um corte de classe, chamando as trabalhadoras a organizarem-se junto à sua classe e a não confiar nas propostas burguesas, como algumas correntes do feminismo contemporâneo.

 

Não à toa a luta implacável dos revolucionários no intuito não somente de manter sempre a classe operária (e trabalhadora) – bem como suas organizações – em movimento constante, mas também com o propósito de a incorporar às reivindicações da mulher e a desenvolver um combate implacável contra o machismo, embasada sempre em um programa classista e socialista. Bem da verdade, toda a luta da classe trabalhadora, sob a ótica desta teoria, adquire este caráter.

 

Portanto, nada tem a ver com o legado de Trotsky (e de todo o marxismo) o recorte de gênero puro e simples, assim como a defesa de governos burgueses reformistas amparando-se no argumento de estar-se lutando contra o imperialismo ou mesmo contra o fascismo.

 

Para Trotsky, o recorte deve ser de classe, pois qualquer reforma dentro do capitalismo está fadada ao fracasso. Tanto que a história confirmou a viabilidade da Teoria da Revolução Permanente. E a prova pela positiva deu-se com as conquistas obtidas pelas mulheres após a Revolução de Outubro de 1917, superiores a tudo que se pode conseguir até o momento nos países capitalistas mais avançados. Já pela negativa, todas as perdas e retrocessos dessas conquistas, oriundos da vitória da contrarrevolução stalinista, confirma igualmente o acerto da teoria. Podendo-se afirmar o mesmo, inclusive, no que diz respeito às nacionalidades.

 

Em suma, já que a única maneira de superarmos todas essas opressões é assumindo para nós o controle do Estado, ou melhor, com a vitória da revolução operária internacional em seu compto mais geral, o papel de todo o militante trotskista frente às lutas "democráticas" que se desenrolam atualmente (anti-imperialista, pela terra e contra todas as opressões) é o de intervir nelas com força, impulsionando para que a classe operária as encabece e com um programa de independência de classe que as oriente até o poder operário e à construção do socialismo. Concomitante a isso deve, a militância revolucionária, construir o partido internacional da Revolução, assim como suas seções nacionais. Estaremos assim honrando a memória do velho bolchevique.

 

 

BELLA CIAO

16.02.19

Bella Ciao, o hino de resistência ao fascismo na Itália, interpretado por um coral de crianças árabes. Simplesmente Lindo.

 

 

Abaixo, a mesma canção, em Italiano, e traduzida para o português.

 

 

O capitalismo configura-se como um sistema ecônomico calcado no consumo? É a sociedade capitalista uma "sociedade do consumo"?

13.02.19

 
[No capitalismo] O dinheiro é a essência alienada do trabalho e da existência do homem; a essência domina e ele o adora.
Karl Marx
O fator determinante final da história é a produção e reprodução da vida imediata.
Friedrich Engels
 
Sociedade de consumo. Completamente ausente das análises de Marx e Engels, este conceito, popularizado no século XX, mostrou um longo alcance, estando presente nas leituras críticas dos teóricos da escola de Frankfurt, através de Ana Arendt, a intelectuais contemporâneos como Fredric Jamenson e Zygmunt Bauman. De fato, nada parece mais coerente do que o capitalismo como sociedade de consumo, afinal, a marcha imparável do capital em direção a uma maior apreciação multiplica a quantidade e a diversidade dos bens que enfrentamos a cada dia, inserindo-os em nossas vidas diárias como uma necessidade que não podemos mais evitar.
 
Apesar do óbvio (o truísmo), é útil dizer que tal concepção é muito superficial e, como tal, falsa. Essa ilusão deriva do fato de que as relações sociais reais entre indivíduos da forma social capitalista estão veladas na forma bruta e natural de mercadorias e dinheiro. E por essa razão, o que vemos diretamente é a expansão quantitativa e qualitativa dos bens considerados em si, desconsiderando o processo social que os fez emergir.
 
Em seu grande livro, O Capital, Karl Marx descreve o consumo como a realização do "valor de uso" dos produtos. Embora a mercadoria seja um valor de uso pelo simples fato de satisfazer uma certa necessidade humana, a realização desse valor de uso é dada em seu consumo, que é posterior à sua troca. Isto é, a realização do valor de troca. Isso significa que se o valor de troca não for realizado, seu valor de uso também não será realizado. Como mercadoria, para chegar ao campo do consumo, é necessário primeiro superar a esfera do comércio.
 
Deste ponto de vista, o consumo aparece subordinado à esfera da troca, ainda que o valor de uso seja o suporte material do valor de troca na forma de capital e o conteúdo material de riqueza em cada sociedade. Então, Marx analisa a fórmula da simples circulação de produtos: M-D-M (mercadoria-dinheiro-mercadoria). Nesta fórmula, o dinheiro aparece como um mero mediador do processo, e sua finalidade é o valor de uso. Em outras palavras, o objetivo final da forma M-D-M é consumir, e seu limite é a satisfação das necessidades dos consumidores e seu valor de uso. Por esta razão, esta forma é sintetizada por Marx na forma: vender para comprar. Mas a forma M-D-M é apenas um momento abstrato e superficial das relações sociais capitalistas, visíveis na esfera do comércio de bens. Portanto, Marx começa a analisar a forma M-D-M', que traz a especificidade do processo de troca de bens na forma de capital, considerado por Marx como a fórmula geral do capital.
 
Na fórmula geral do capital, transformações fundamentais podem ser observadas. A mercadoria é comprada para revenda e não mais para satisfazer uma necessidade individual. O dinheiro não funciona mais exclusivamente como dinheiro, mas como uma forma universal de riqueza. O que impulsiona a realização deste circuito não é o valor de uso, mas o valor de troca. Desta forma, valorizar o valor para o infinito torna-se um objetivo absoluto. Em suma, a satisfação das necessidades de consumo e o valor de uso são transformados em meros meios desse movimento insaciável de autovalorização.
 

É óbvio que o valor de uso e a realização das necessidades humanas historicamente constituídas pelo consumo não são literalmente rejeitadas no modo de produção capitalista. O que diferencia essa forma social de todas as anteriores é que a produção precedida de valores de uso não está mais subordinada às necessidades do homem, mas sim à valorização do valor. Em todas as relações sociais pré-capitalistas predomina a produção para o uso imediato de produtos do trabalho. Ou seja, a produção é o valor de uso e a prestação de serviços em espécie. Não sem razão, Marx verifica que nunca houve, entre os mais velhos (refere-se às sociedades antigas), uma questão sobre a forma de propriedade da terra, etc., qual é a mais produtiva, qual delas cria a maior riqueza, porque a riqueza (no sentido de acumulação) não aparece como um objetivo de produção.

Portanto, a riqueza sempre se apresenta em seu aspecto material, em sua configuração objetiva, em suas determinações concretas, contrárias à sociedade burguesa, que está representada na figura abstrata do dinheiro. Até mesmo a exploração e o controle do trabalho dos outros são voltados para o prazer privado, a satisfação das necessidades de seus respectivos donos. Mas não somente: nas formas sociais que precederam o capitalismo, frente a riqueza  em sua determinação material, "o homem se confronta como sujeito".

No capitalismo, o operário e o próprio capitalista só aparecem como um de seus momentos. O processo usual de acumulação de capital ocorre sem o conhecimento dos produtores e o capital se manifesta com a força de um sujeito automático. Em suma, bens valiosos não estão mais ligados uns aos outros como um meio de satisfazer as necessidades humanas. Pelo contrário! Os homens é que estão ligados uns aos outros para atender às necessidades de valorização do capital e, portanto, não mais se defronta com os produtos materiais como sujeito; antes, como algo externo, estranho, alheio a sua vontade.

Como pode ser visto, para além das falsas aparências que surgem da esfera da simples circulação da mercadoria, quando esta se torna autônoma, todas as formas sociais que precederam o capital são o que podemos chamar de "sociedade de consumo". No entanto, nada mais errado do que designar o capitalismo como sociedade de consumo. Vivemos em uma sociedade de trocas, do dinheiro enquanto forma universal e autonomizada da riqueza, regida pela sua acumulação de capital através da extração de mais-valor. De fato, em nenhum outro momento da história humana o consumo foi tão valorizado quanto é hoje.

A grande maioria das pessoas acaba de comprar uma mercadoria em particular e o fetiche desaparece de sua aquisição. Nos EUA, por exemplo, o "lar do consumo", é comum encontrar-se casas com garagens repletas de mercadorias compradas e nunca consumidas. O sonho que habita a imaginação de quase todos nesta forma social, capitalistas ou trabalhadores, não é a posse e usufruto de qualquer bem em particular, mas a quantidade de dígitos de seu extrato bancário.

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CONCEITOS:

Valor de troca: para o marxismo, o valor de troca é medido pelo tempo de trabalho socialmente necessário, isto é, o tempo padrão para produzir uma mercadoria. Assim, é possível conhecer o preço justo de cada mercadoria pelo tempo de trabalho que é aplicado a ela;

Valor de uso: é a qualidade que tem um objeto para satisfazer uma necessidade, determinada por suas condições naturais;

Mais-valor (mais-valia): é a diferença entre o valor produzido pela obra e o salário pago ao trabalhador. É, portanto, a base da exploração do sistema capitalista no mercado de trabalho. Dela é que deriva o lucro do burguês.

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Leia também:

Há vida inteligente (além de nós) no Universo?

07.02.19

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Existem duas possibilidades, estamos sozinhos ou não, e ambas são assustadoras.

Carl Sagan

 

De um modo ou de outro, querendo ou não, o tema da existência, ou simplesmente a busca de outro modo de vida inteligente no universo, é algo extremamente intrigante que mexe com todas as cabeças. Existe uma certa lógica por trás de tudo isso: com um universo tão grande, margeando o infinito com bilhões (quiçá trilhões) de galáxias, há certamente vida inteligente em algum lugar deste universo. Mas essa máxima é consensual na astronomia?

 

Na tentativa de sair do senso comum, é preciso levar-se em conta dois fatores importantes dentro da astronomia. Um deles deriva da década de 1950, quando o físico Enrico Fermi criou o que chamamos de Paradoxo de Fermi, cuja ideia é: dado o tamanho do universo, sua idade e número de estrelas, uma civilização avançada já deveria ter entrado em contato com a humanidade. No entanto, sabemos que isso ainda não aconteceu. Então vem a pergunta que marca o paradoxo: "Onde estão todas as civilizações inteligentes?" Para dar um caráter analítico ao paradoxo de Fermi, o astrônomo Frank Drake formulou, em 1961, a famosa Equação de Drake, na qual tentou-se estimar o número de civilizações inteligentes existentes no universo. Eis o segundo fator. Basicamente, a equação de Drake tenta estimar o número de civilizações inteligentes extraterrestres que existiriam em nossa galáxia em qualquer momento.

 

Como esta equação funciona? Em suma, ela visa a procurar evidências, usando sinais de ondas de rádio ou algum outro objeto que transmita um sinal mais forte.

 

A equação é criticada por muitos e adorada por outros tantos. Entretanto, é uma tentativa de organizar, racionalizar, por meio de cálculos matemáticos, nossa ignorância no que concerne a existência da vida no universo. Muitos tentaram resolver a equação fornecendo números exatos para cada parâmetro ou simplesmente fornecendo estimativas para cada um deles. Algumas soluções indicam que pode haver outras civilizações no universo, enquanto outros pesquisadores dizem que estamos sozinhos. No entanto, as conclusões tiradas dos dados estudados da equação são que não há vida inteligente no universo além de nós.

 

De fato, a lógica evocada por Franke Drake, além de conter certo egocentrismo, certa arrogância, ignora certos fatores importantes que devemos levar em conta. O primeiro é que, para localizar uma civilização, ela deveria estar tecnologicamente avançada a ponto de poder produzir equipamentos capazes de captar e transmitir tais ondas de rádio, por exemplo. Outro fator é que a equação foi pensada para localizar vida inteligente e avançada em nossa galáxia, nada mais. Acontece que até a Via Láctea é cortada por nuvens moleculares que lhe dão uma aparência complexa, irregular e equilibrada. Essas nuvens geralmente carregam uma quantidade tão concentrada de "poeira cósmica" que é quase impossível para essas ondas cruzá-las.

 

Mas não só! Mesmo que existam civilizações tecnologicamente avançadas capazes de receber nossas informações, isso não significa que elas possam nos responder. Na verdade, existem ondas curtas e "finas" que não podem percorrer toda a extensão da nossa galáxia, que é relativamente pequena em comparação com outras no cosmos, mas que tem - segundo estimativas - cerca de 200 bilhões de estrelas e um diâmetro de 100 mil anos-luz. Talvez para estender esses cálculos para um universo com cerca de 300 bilhões de galáxias (das quais apenas 43.000 são "conhecidas"), muitas delas muito maiores que as nossas.

 

Os físicos Anders Sandberg, Eric Drexler e Toby Ord publicaram, em junho 2018, um artigo intitulado Dissolving the Fermi Paradox (Dissolução do Paradoxo de Fermi), em que eles decidiram combinar, às suas análise do paradoxo de Fermi, a Equação de Drake, a modelagem estatística e as incertezas. A abordagem foi inteiramente nova; eles usaram o que eles chamam de "distribuição de probabilidade" para cada parâmetro da equação. Isso consiste no cálculo dessa probabilidade usando um número médio de planetas para certos tipos de estrelas. Acontece que, uma vez que estamos apenas no início da descoberta de exoplanetas e sistemas interplanetários, é praticamente impossível de realizar um cálculo em uma média com base em números muito pequenos. Não admira que tenham descoberto que o grau de incerteza seria muito alto, com muitas ordens de grandeza. Isso significa que, atualizando os valores à luz da observação de Fermi, chegamos à conclusão de que provavelmente estaremos sozinhos não apenas em nossa galáxia, mas também no universo observável.

A resposta para Fermi, segundo esses físicos, é: "Onde estão todos eles? Provavelmente muito longe de nós e muito provavelmente além do horizonte cosmológico. Se eles existirem, nunca serão alcançados". Esta é uma tentativa de resolver a equação estatisticamente, e não significa que esteja completamente correta. Pelo contrário!

 

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Já vimos os limites dessa equação, mas para concluirmos nosso raciocínio por que não inverter a lógica? Sim, por que não pensamos na probabilidade de que nós humanos não possuamos tecnologia de ponta capaz de captar sinais do espaço exterior? Por que brincar de deus? Mesmo porque, quando buscamos a vida no universo, a fazemos de acordo com o que conhecemos como vida, aquela baseada no carbono. Acontece que esse elemento, que está findando no universo, é relativamente raro e representa apenas 5% do total do cosmos. E a vida baseada em outros elementos (incluindo a vida inteligente), não sabemos o que seria.

Para alegria de uns (e talvez tristeza de outros), há novos estudos e outras descobertas que nos aproximam cada vez mais da certeza de vida inteligente fora da Terra. Ou ao menos vida complexa, capaz de suportar vida inteligente. E não somente no Universo distante, mas aqui, dentro de casa, na nossa humilde e bela Via Láctea. Mesmo com um referencial tão pequeno para trabalharmos - aquele de 5% de carbono -, estima-se que haja sim grandes possibilidades de se haver vida em outros planetas. E com certa abundância. E em que grau de desenvolvimento se encontra a vida e quais as possibilidades de manterem estes seres contato conosco talvez passe a ser, em pouco tempo, o novo Paradoxo de Fermi. O tempo dirá!

 

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Leia também:

O materialismo revolucionário da Teoria da Relatividade de Einstein

03.02.19

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Para compreendermos a teoria

A teoria de Newton explicava todo o movimento em termos de forças. Havia-se uma força, esta atuava no objeto e este movia-se pela ação da força. Nessa teoria, cria Newton que, se o sol desaparecesse, a terra instantaneamente sairia à deriva pelo espaço. O que a teoria do espaço-tempo de Einstein fez foi substituir todo esse conceito de força por algo muito mais simples e muito mais geométrico. Forças deixaram de existir e, em seu lugar, surgiu aquilo que Einstein chamou de espaço-tempo, um contínuo unificado em que espaço e tempo tinham a mesma natureza e os objetos moviam-se no espaço-tempo através do caminho mais curto. Em outras palavras, o espaço-tempo é uma noção geométrica útil para descrevermos o que vemos em redor de nós. Nesta linguagem, uma onda gravitacional é algo que distorce este contínuo. Esta onda, contudo, é criada a partir da perturbação gravitacional de um corpo sobre o universo, do mesmo jeito que as ondas se propagam pela água depois de jogarmos uma pedra nela, por exemplo.

Einstein compreendeu que o universo é maleável, que é quadrimensional, não mais tridimensional, como se acreditara até então. Este tecido quadridimensional do espaço-tempo se parece com a superfície de um trampolim, que, submetido a uma pressão causada por um objeto pesado sobre ele, se deforma. É essa distorção ou curvatura do espaço-tempo que cria o que se sente como a gravidade. Einstein sugeriu que a presença de um corpo altera a relação entre espaço e tempo, provocando aceleração em tudo o que estiver em sua volta. Pensemos em uma esfera de ferro de 5 kg sobre uma cama elástica. A sua presença cria uma curva na superfície de modo que a inserção de qualquer outra esfera de menor massa (com peso inferior a 5 kg) rolará em direção a essa esfera maior. De forma semelhante, todo o corpo altera o espaço a sua volta.

Essa teoria alterou bastante a forma como se entende o universo. Primeiramente porque alterou sensivelmente nossa compreensão sobre o tempo, visto agora de forma relativa e variável. Para Newton o tempo passava de uma mesma maneira em todo o lugar; para Einstein, não: o tempo pode correr a diferentes marchas. Ele compreendeu que há uma ligação profunda entre o movimento no espaço e a passagem do tempo. Em outras palavras, quanto se mais tem um, menos se tem outro. Para se compreender melhor, vamos citar o exemplo dado pelo próprio físico: um corpo em movimento numa velocidade X indo na direção norte avançará mais rápido neste sentido que o mesmo corpo, sob as mesmas condições e na mesma velocidade, indo na direção noroeste. Isso porque, para este corpo, parte do movimento para o norte foi compartilhado para oeste. Em suma, Einstein percebeu que tempo e espaço estão ligados da mesma forma que leste e oeste, por exemplo.

Assim, para Einstein o movimento pelo espaço afeta a passagem do tempo. No espaço, o tempo corre mais devagar para os corpos que estão em movimento. Não notamos esses fenômenos na terra simplesmente porque o impacto do movimento no tempo é tão pequeno que não sentimos, graças às baixas velocidades praticadas aqui em nosso planeta. Essa teoria foi testada e experimentada várias vezes utilizando-se de relógios atômicos e aviões a jato. E graças a descoberta dessa ligação entre espaço e tempo, Einstein percebeu que ambos não poderiam ser considerados como coisas separadas; espaço e tempo estão fundidos, naquilo que se denomina espaço-tempo.

Essa fusão do espaço e do tempo, levaria o físico a uma conclusão surpreendente: a distinção entre passado, presente e futuro é apenas uma ilusão. Einstein dividiu o universo em fatias de tempo. Suponhamos que dois corpos estejam parados a uma distância de 1000 anos luz. Os ponteiros do relógio de cada corpo, em decorrência de estarem parados, andam na mesma velocidade. Então essa fatia (do agora) estaria reta. De repente, um dos corpos começa a se locomover lentamente em direção contrária ao outro: como há uma ligação direta entre tempo e espaço, essa fatia ou linha (do agora) estaria na diagonal, remetendo a um tempo passado para o outro corpo. Do mesmo jeito o inverso: se percorrer na mesma velocidade e no sentido do corpo parado, essa linha (ou fatia) estaria lhe remetendo ao futuro. Assim, tudo o que já aconteceu, ou irá acontecer, tudo existe.

Dessa forma, é possível, segundo as leis da física, viajar no tempo: por meio da gravidade. Para Einstein e sua teoria da relatividade, a gravidade, assim como o movimento, pode afetar o tempo. É como se ela segurasse o tempo, atrasando sua passagem. Assim, quanto maior a força gravitacional, mais lento se torna o tempo. Em nosso planeta, o efeito é muito pequeno para ser percebido, mas é igualmente real. Uma pessoa que reside no andar mais alto do maior arranha céus existente, sente o tempo passar um pouco mais rapidamente que outra residindo no térreo do mesmo prédio, já que a gravidade embaixo é um pouquinho mais forte rente ao solo. Porém, próximo a um buraco negro, o efeito da gravidade é imenso.

Um buraco negro é formado a partir da explosão de uma supernova (uma mega estrela) e sua gravidade chega a bilhões de vezes superior à da terra. Se conseguíssemos nos aproximar de um para ver alguém viajando próximo a ele, veríamos o tempo ficando muito devagar. Próximo a um buraco negro, veríamos esta pessoa viajando muito lentamente, falando devagar, envelhecendo biologicamente muito devagar, mesmo que para ela a sensação fosse a mesma. Em suma, enquanto para o viajante a sensação seria de que o tempo estivesse correndo normalmente, para nós é como se ele estivesse praticamente parado. Segundo Stephen Hawking, por exemplo, a depender do tamanho e da massa do buraco negro, se conseguíssemos ficar em sua órbita por 1 ou 2 horas, 50 anos já teriam se passado no planeta terra.

Todavia, viajar no tempo para o futuro parece relativamente simples se formos conjeturar na possibilidade de viajar para o passado. Como isso seria possível? Aplicando algo previsto nas equações de Einstein, chamado por ele de «buraco de minhoca», que são nada mais que atalhos no espaço-tempo, provocados pela sua dobra. Assim, se tivéssemos como controlá-los, seria possível voltarmos no tempo, sem contudo, conseguir alterar o «passado». Esse fenômeno o socialista Einstein chamou de dobra do espaço-tempo, ou simplesmente dobra espacial. Mas isso no espaço, porque em nosso planeta a «flecha do tempo» caminha em uma única direção, e parece, ainda hoje para nós, irreversível. Então, parafraseando o belo filme de Adriana Dutra e Walter Carvalho, nos resta então a pergunta: quanto tempo tem o tempo?

 

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O conteúdo materialista revolucionário da teoria de Einstein

A despeito de todo tipo de idealismo místico que fazem hoje com a Teoria da Relatividade, não é difícil de se notar seu materialismo. Isso porque o relativismo fundamenta-se em dois postulados surpreendentemente simples e de caráter flagrantemente materialistas e passíveis de comprovação práticas. Ei-los:

  1. Todasas leis da física assumem a mesma forma em todos os referenciais inerciais;
  2. Em qualquer referencial inercial, a velocidade da luz no vácuo é sempre a mesma.

 

Partindo destas premissas é que Einstein vai desenhar suas elegantes teorias. Elas nos permitiram, aliás, desvendar os mistérios da equivalência massa-energia, superar os belos - porém já insuficientes - postulados teóricos de Newton e descartar a incômoda hipótese do éter lumífero, por exemplo. Como afirmou Carl Sagan, discípulo de Einstein e monumental físico materialista-dialético do século XX, em sua conhecida obra O Cérebro de Broca: «Antes de Einstein defendia-se que existiam sistemas de referência privilegiados e coisas tais como o espaço absoluto e o tempo absoluto. O ponto de partida de Einstein foi que, qualquer que fossem os sistemas de referência, todos os observadores (fosse qual fosse a sua localização, velocidade ou aceleração) veriam as leis fundamentais da natureza da mesma forma».

O inquestionável mérito de Einstein foi o de perceber como nossos preconceitos antropocêntricos, refletidos em nossa ânsia para conferir aos seres humanos um ponto de vista privilegiado para perceber o universo, havia nos tornado, até então, cegos para o fato de que uma abordagem materialista consequente exigia que considerássemos que, sob qualquer ponto de vista, as leis da física deveriam permanecer as mesmas, ainda que isso contrariasse nossas concepções mais arraigadas sobre o tempo e o espaço.

Em outras palavras, Einstein aplicou aquilo em que a dialética mais preza: a negação da realidade. Ou seja, a ideia de que não devemos partir de pressupostos já consolidados, ou mesmo de ideologias, para interpretarmos a realidade. Pelo contrário! A Relatividade einsteiniana nos ensina, dentre muitas outras coisas, que precisamos estar dispostos a superar nossos paradigmas sempre que a realidade concreta demonstrar-se mais rica e complexa do que tínhamos sido capazes de imaginar. Precisamos negar a realidade para transformá-la, criando novas categorias e superando as antigas, já caducas.

Sob este aspecto, a revolução promovida por Einstein (já promovidas em outras áreas por intelectuais como Darwin e Marx, dentre outros) pode ser compreendida como parte de um mosaico mais complexo: o de revoluções científicas anteriores que, pouco a pouco, ao menos no campo superestrural, fizeram com que rompêssemos com postulados místicos que visavam a ocultar nossa insignificância e nossa fragilidade, atribuindo-nos privilégios que não possuímos.

Foi assim com a revolução copernicana, que nos tirou do centro do universo; foi assim com a revolução promovida na Geologia por Hutton e Lyell, que nos revelou o quão breve é nossa história diante da espantosa escala do tempo em nosso planeta; foi assim com a revolução darwinista, que desvendou nossa origem humilde como um mero ramo dissidente de primatas na incrivelmente vasta árvore da vida; foi assim com a revolução promovida por Marx e Engels, elucidando as bases materiais ocultas por trás de nossas relações sociais, instituições e ideologias ao longo de toda história; e é assim com Einstein e sua teoria da relatividade ao demonstrar que não possuímos um sistema de referenciais privilegiados para perceber o universo.

As preocupações de Einstein em relação à permanente necessidade de rigor epistemológico e sua defesa consciente do caráter materialista da abordagem científica demonstram-se extremamente pertinentes, sobretudo quando observamos a penetração de pressões idealistas, místicas e obscurantistas no cenário contemporâneo da física, resultando em absurdos como o misticismo quântico*, propagandeado por ideólogos com credenciais científicas como Frijof Capra e Amit Goswami.

Porém, para que sejamos de fato livres de todo um complexo sistema ideológico (idealista e místico, que lança luz à imagem de Deus pai criador do Universo), devemos nos libertar das amarras autoimpostas que prejudicam nossa compreensão da natureza e de nós mesmos. Devemos superar o capitalismo, que alimenta todo esse conjunto ideológico para impor com mais facilidade sua exploração sobre os trabalhadores, reais proprietários da produção. Somente assim compreenderemos nossas limitações e potencialidades para que possamos de fato intervir de maneira justa, correta e isonômica na natureza, transformando-a e recriando-a com parcimônia e inteligência, assim como a nós mesmos. Eis a lição reafirmada por cada uma das revoluções que fizeram avançar nossa compreensão. Afinal, como bem explicou Trotsky: «O ascenso histórico da humanidade, tomado como um todo, pode ser resumido como uma sucessão de vitórias da consciência sobre as forças cegas – na natureza, na sociedade, no próprio homem».

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* No início da década de 20, em pleno auge da Teoria da Relatividade, o físico dinamarquês Niels Bohr propôs uma nova teoria na física, na qual a investigação da natureza deveria se dar em escala atômica. Esse novo postulado teórico previa a necessidade de duas abordagens distintas e indissolúveis necessárias para a compreensão da realidade em diferentes escalas, impondo, contudo, limites para cada uma delas: a relatividade einsteiniana para a análise dos fenômenos em escala superior à atômica e a mecânica quântica para escalas subatômicas.

Acontece que o debate levantado por essa nova revolução na física foi distorcido por terceiros ao nível pessoal, passando a ser tratado como uma disputa rasa de egos entre estes dois grandes teóricos do século XX. Na verdade, as diferenças entre os dois era muito menor (enquanto para Bohr e física quântica já seria o suficiente para descrever os fenômenos físicos, para Einstein, não bastava; era necessária uma abordagem filosófica de caráter indubitavelmente materialista), tanto que Einstein foi considerado, pelo próprio Bohr, como o pai da física quântica, levando-o a escrever,  em 1949, um artigo intitulado «O Debate com Einstein sobre problemas epistemológicos na Física Atômica», dedicando-o ao físico alemão.

Combien de temps a le temps ?

01.02.19

 

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La distinction entre passé, present et futur est seulement une ilusion obstinément persistante.

Albert Eintein

 

Le temps est relatif et il ne peux pas être mesuré exactement de la même manière partout.

Albert Einstein

 

La théorie de Newton expliquait tout le mouvement en termes de forces. Il y avait une force, elle agissait de l’objet et il se déplaçait par leur action. Dans cette théorie, Newton créa en supposant que si le soleil disparaît de la terre, elle dériverait instantanément dans l’espace. La théorie d’Einstein sur l’espace-temps fut de remplacer ce concept de force par quelque chose de beaucoup plus « simple » et beaucoup plus géométrique. Les forces cessèrent d’exister et à leur place apparut ce que Einstein appela « l’espace-temps », un continuum dans lequel l’espace et le temps avaient la même nature et dont les objets se déplaçaient dans l’espace-temps par le chemin le plus court. En d’autres termes, l’espace-temps est une notion géométrique utile pour décrire ce que nous voyons autour de nous. Dans cette langue, une onde gravitationnelle est quelque chose qui déforme ce continuum. Cette onde, cependant, est créée à partir de la perturbation gravitationnelle d’un corps sur l’univers, de la même manière que les ondes se propagent dans l’eau après y avoir jeté une pierre, par exemple

 

Einstein comprit que l’univers est malléable, à quatre dimensions, pas plus à trois dimensions, comme on le croyait jusque-là. Ce tissu spatio-temporel à quatre dimensions ressemble à la surface d’un trampoline qui, sous l’effet d’une pression causée par un objet lourd, se déforme. C’est cette distorsion ou courbure de l’espace-temps qui crée ce que l’on appelle la gravité. Einstein suggéra que la présence d’un corps modifie la relation entre l’espace et le temps, provoquant une accélération de tout ce qui l’entoure. Pensez à une boule de fer de 2 kg sur un trampoline. Sa présence crée une courbe à la surface, de sorte que l’insertion de toute autre sphère de masse inférieure (inférieure à 2 kg) se dirige vers cette sphère plus grande. De même, tout le corps modifie l’espace autour de lui.

 

Cette théorie modifia considérablement la façon dont l’univers est compris. D’abord parce qu’il modifia de manière sensible notre compréhension du temps, que nous percevons maintenant de manière relative et variable. Pour Newton, le temps passait de la même manière partout ; pour Einstein, non : le temps peut tourner à des vitesses différentes. Il comprit qu’il existe un lien profond entre le mouvement dans l’espace et le passage du temps. En d’autres termes, plus on en a, moins on en a un autre. Pour mieux comprendre, citons l’exemple donné par le physicien lui-même : un corps se déplaçant à une vitesse X se dirigeant vers le nord avancera plus vite dans cette direction qu’un même corps, dans les mêmes conditions et à la même vitesse, se dirigeant vers le nord-ouest, par exemple. En effet, pour ce corps, une partie du mouvement au nord fut partagée au nord-ouest. En bref, Einstein s’est rendu compte que le temps et l’espace sont connectés de la même manière que l’est et l’ouest, par exemple.

 

Ainsi, pour Einstein, le mouvement dans l’espace influe sur le passage du temps. Dans l’espace, le temps s’écoule plus lentement pour les corps en mouvement. Nous ne remarquons pas ces phénomènes sur Terre simplement parce que l’impact du mouvement dans le temps est si faible que nous ne le ressentons pas, grâce aux faibles vitesses pratiquées ici sur Terre. Cette théorie fut testée et expérimentée à l’aide d’horloges atomiques et d’avions à réaction. Et grâce à la découverte de cette connexion entre l’espace et le temps, Einstein perçut que les deux ne pouvaient pas être considérés comme des choses séparées ; l’espace et le temps sont fusionnés, dans ce qu’on appelle l’espace-temps.

 

Cette fusion de l’espace et du temps conduirait le physicien à une conclusion surprenante : la distinction entre passé, présent et futur est une illusion. Einstein divisa l’univers en tranches de temps. Supposons que deux corps se tiennent à une distance de 1000 années-lumière. Les aiguilles de l’horloges de chaque corps, en raison d’être arrêtés, marchent à la même vitesse. Donc, cette tranche (du maintenant) serait tout droit. Tout à coup, un des corps commence à se déplacer lentement dans la direction opposée : comme il existe un lien direct entre le temps et l’espace, cette tranche ou ligne (du présent) serait diagonale, remettant à un temps passé à l’autre corps. De la même manière, l’inverse : si vous marchez à la même vitesse et dans la direction du corps immobile, cette ligne (ou tranche) l’évoquera au futur. De cette façon, tout ce qui est déjà arrivé ou va arriver, tout existe.

 

De cette façon, il est possible, selon les lois de la physique, de voyager dans le temps : à travers la gravité. Pour Einstein et sa théorie de la relativité, la gravité, ainsi que le mouvement, peuvent affecter le temps. C’est comme si elle tenait l’heure, retardant son passage. Ainsi, plus la force gravitationnelle est grande, plus le temps devient lent. Sur notre planète, l’effet est trop petit pour être perçu, mais il est également réel. Une personne résidant au dernier étage du plus grand gratte-ciel existant estime que le temps passe un peu plus vite qu’une autre personne résidant au rez-de-chaussée du même bâtiment, car la gravité au-dessous est un peu plus forte près du sol. Cependant, près d’un trou noir, l’effet de la gravité est immense.

 

Un trou noir est formé par l’explosion d’une supernova (une méga étoile) et sa gravité atteint des milliards de fois plus grande que la Terre. Si nous pouvions nous approcher de l’un d’eux pour voir quelqu’un voyager près de lui, on verrait le temps passer très lentement. À côté d’un trou noir, nous verrions cette personne voyager très lentement, parler lentement, vieillir biologiquement très lentement, même si pour lui la sensation est la même. En bref, alors que le voyageur aurait l’impression que le temps s’écoulait normalement, pour nous, il est comme il fut pratiquement arrêté. Selon Einstein (et d’autres), par exemple, selon la taille et la masse du trou noir, si nous pouvions rester sur son orbite pendant 1 à 2 heures, 50 ans se seraient déjà écoulés sur la planète Terre.

 

Cependant, voyager dans le temps vers le futur semblent relativement simple si nous devons conjecturer sur la possibilité de voyager vers le passé. Comment cela pourrait-il être possible ? Appliquer quelque chose prévu dans les équations d’Einstein, appellé par lui de « trou de lombrics », qui ne sont que des raccourcis dans l’espace-temps, provoqués par son pli. Ainsi, si nous avions le contrôle sur eux, il serait possible de remonter dans le temps sans toutefois pouvoir changer le « passé ». C’est ce que le Socialiste Einstein appela « le repli de l’espace-temps », ou tout simplement « le repli spatial ». Mais ceci dans l’espace, car sur notre planète la « flèche du temps » ne va que dans une direction et semble, encore aujourd’hui pour nous, irréversible. Alors, combien de temps a le temps ?