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Práxis

Os filósofos limitaram-se sempre a interpretar o mundo de diversas maneiras; porém, o que importa é modificá-lo.

Práxis

Os filósofos limitaram-se sempre a interpretar o mundo de diversas maneiras; porém, o que importa é modificá-lo.

Declaração sobre a Venezuela!*

29.01.19

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Não à ingerência imperialista e da direita continental. Nenhum reconhecimento ao governo autoproclamado e pró-imperialista de Juan Guaidó.  Que sejam as massas trabalhadoras as que expulse Maduro do poder. Pela construção de uma alternativa independente da classe trabalhadora e do povo pobre.

 

Rechaço à ingerência imperialista e da direita continental.

 

Há uma ingerência imperialista na Venezuela, com a autoproclamação de Juan Guaidó como presidente interino da República em 23 de janeiro do ano em curso. Isto foi acordado previamente com Donald Trump, que logo em seguida reconheceu e respaldou o “Presidente Encarregado”. Isto é um completo descaramento do presidente norte-americano, ao pretender a partir de Washington designar o presidente de outro país, em uma clara atitude intervencionista. Da mesma forma, e cumprindo as orientações do governo ianque, fizeram os governos lacaios da direita continental com Piñera (Chile), Bolsonaro (Brasil), Macri (Argentina) e Duque (Colômbia) à cabeça. Postura semelhante assumiram o resto dos países do grupo de Lima (à exceção do México) e a OEA.

 

 

Declaração da Unidade Socialista dos Trabalhadores (UST) ante os acontecimentos políticos de 23 de janeiro.

 

Nos dias anteriores, estes mesmos governos haviam emitido resoluções e declararam ilegítimo o governo de Maduro. A partir da UST rechaçamos estas ações intervencionistas do imperialismo e da direita continental. Afirmamos que o governo dos EUA não tem autoridade política nem moral para dar lições de democracia, pois apoia o governo genocida e nazi-sionista de Israel, o governo da Arábia Saudita, além de ter financiado e apoiado uma infinidade de golpes e intervenções militares no continente e no mundo. Podemos dizer algo parecido da OEA, que ao longo de sua história validou ditaduras e apoiou golpes militares no continente.

 

Bolsonaro, por seu lado, tem pretensões bonapartistas no Brasil semelhantes às de Maduro, e por outro lado, ele e seus homólogos Piñera, Duque, Macri, Moreno e outros do continente, aplicam ajustes brutais contra os trabalhadores de seus países, em benefício dos bancos internacionais, das transnacionais e do FMI, ajustes que são similares aos que a ditadura de Maduro já vem aplicando na Venezuela e aos que o governo do autoproclamado Guaidó pretende aplicar.

 

Como militantes socialistas, não podemos apoiar nada disto, declaramos que estaríamos contra qualquer intervenção militar contra a Venezuela ou de qualquer tentativa de golpe militar.

 

Até agora as ações intervencionistas tanto do imperialismo, da direita continental e o Grupo de Lima e da OEA, são similares a outras do passado, ainda que com um acréscimo em seu nível. Circularam ameaças de Trump, via redes sociais, de intervir através do Comando Sul contra o governo venezuelano, bem como existe a negativa do governo norte-americano de retirar seu pessoal diplomático e consular, a partir da ruptura de Maduro das relações diplomáticas e da emissão da respectiva ordem de retirada desse pessoal em 72 horas. Não sabemos se isto terminará em conflito militar, mas em uma eventual situação como essa, estaríamos contra e chamaríamos os trabalhadores tanto da Venezuela como do continente para, junto a eles, enfrentá-la.

 

 

Todo rechaço à ditadura de fome de Maduro

 

É notório que o dia 23 de janeiro institui uma data emblemática na história política do país, e foi a data escolhida pela direção da Assembleia Nacional (AN), na qual se encontram representados os principais partidos da oposição burguesa ao governo ditatorial de Maduro para convocar uma mobilização, que contou com a presença massiva de amplíssimos setores da população, descontentes com a situação.

 

Esta mobilização foi precedida por um conjunto de ações de protestos populares nas diversas zonas de Caracas e outras cidades do país, ações que se repetiram posteriormente e que foram objeto de uma tremenda repressão por parte dos corpos de segurança do Estado.

 

A partir da Unidade Socialista dos Trabalhadores (UST), reivindicamos o legítimo direito que os trabalhadores e o povo venezuelano têm de protestar, manifestar-se e marchar contra um governo que os mata de fome, que os mata por falta de remédios, que os afundou na mais profunda crise que se conhece na história recente do país e que mantém a mais deplorável destruição os serviços de saúde, educação, transporte, telecomunicações e outros. Repudiamos e denunciamos a ação repressiva do governo que, segundo cifras extraoficiais, já superam uma dezena de mortos nos protestos.

 

Além disso, o governo de Maduro e os anteriores de Chávez, são os responsáveis por uma enorme fuga de capitais que supera, segundo analistas, a mais de 500 bilhões de dólares, pela destruição de todo o aparato produtivo estatal incluído a produção petroleira, que atualmente é apenas um milhão de barris diários, por pagar enormes somas de dinheiro aos banqueiros referentes à dívida externa, à custa de cortar por mais da metade (considerando cifras de 2012) as importações de alimentos e remédios e por garantir que as transnacionais, através das empresas mistas, ficassem com enormes fatias da renda petroleira. Todas estas são as causas da brutal crise que hoje os venezuelanos padecem que é de total responsabilidade do governo. Por tudo isso insistimos que este governo deve ir embora. Declaramos categoricamente, Fora Maduro!

 

 

Nenhum apoio ao governo autoproclamado e pró-imperialista de Juan Guaidó

 

Mas nada disto significa que damos algum respaldo político ao autodeclarado e pró-imperialista governo de Juan Guaidó, nem a nenhum representante ou partido da burguesia (tanto opositores como oficialistas).

 

A direção política representada pelos partidos e dirigentes da oposição burguesa não merecem nenhuma confiança política dos trabalhadores e das massas mobilizadas neste 23 de janeiro, são estes mesmos dirigentes que traíram as lutas populares e estudantis de 2014 e 2017, conduzindo-as ao beco sem saída da negociação com o governo. São estes os dirigentes e partido que têm como objetivo constituir “um governo de transição” (como expressaram) com a burguesia tradicional, as transnacionais, a boliburguesia, os restos da dissidência chavista e os partidos da oposição burguesa, preservando as garantias de seus negócios e seus lucros, provenientes da exploração capitalista e da mais abjeta corrupção de burocratas estatais, civis e militares, mantendo na impunidade os ilícitos e delitos de corrupção, fuga de capitais e negócios com o Estado, além dos crimes da repressão.

 

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*Texto originalmente escrito por terceir@ em ESPANHOL para o site da LIT-QI. Traduzido para o português por Lilian Enck e publicado com o título: Declaração sobre Venezuela.